Indígenas dão prazo até as 17h para retirada de 150 famílias da Terra Mãe Maria, no Pará

22 set

A tensão aumentou na Terra Indígena Mãe Maria, no sudeste do Pará. Lideranças indígenas divulgaram um vídeo nesta terça-feira (22) dando prazo até as 17h para que as autoridades apresentem uma resposta concreta sobre a retirada de aproximadamente 150 famílias que ocuparam parte do território no último sábado (19). Os indígenas afirmam que poderão tomar uma decisão conjunta caso não haja providências.

No vídeo, representantes das comunidades aparecem reunidos com caciques e cobram uma solução para o impasse. A preocupação é evitar que a situação termine em confronto entre os ocupantes e os povos indígenas que vivem na reserva.

“Nós vamos esperar a resposta das autoridades até hoje. Se não tiver uma resposta boa, vamos tomar uma decisão junto com as lideranças. Os caciques estão presentes aqui”, declarou um dos representantes.

A área ocupada fica na parte sul da Terra Indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins, a cerca de 30 quilômetros de Marabá. O território possui aproximadamente 63 mil hectares e abriga os povos Gavião Parkatêjê, Kyikatêjê e Akrãtikatêjê, distribuídos em mais de 50 aldeias.

As lideranças reforçam que a terra indígena é demarcada, homologada e oficialmente reconhecida. Por isso, sustentam que não existe justificativa para a permanência das famílias no local.

“Não queremos chegar a esse nível. Por isso, estamos acionando o Ministério Público Federal, a Funai, o Ibama e a Polícia Federal para que tomem providências. Não queremos voltar aos anos anteriores de conflito”, afirmou uma das lideranças no vídeo.

Durante a manifestação, os indígenas também mencionaram uma área conhecida como Arara, que, segundo eles, teria sido adquirida para atender às famílias que reivindicam terras. As lideranças defendem que eventuais reivindicações sejam direcionadas para esse local, e não para o território indígena.

“Fica avisado: vamos aguardar até as cinco horas para termos uma resposta concreta sobre a reintegração de posse. Caso contrário, vamos ter que ir lá”, alertou um dos representantes.

Ocupação começou no sábado

O impasse teve início no sábado (19), quando aproximadamente 150 famílias entraram na parte sul da Terra Indígena Mãe Maria. Diante da situação, os moradores das aldeias foram orientados a evitar qualquer contato ou confronto com os ocupantes, deixando a resolução do caso sob responsabilidade das autoridades.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Polícia Federal, a Polícia Militar e o Batalhão de Choque foram comunicados sobre a ocupação.

No domingo, o diretor da Funai em Marabá, Carlos Sompré, esteve na área acompanhado por agentes de segurança para conversar com o grupo. Durante o diálogo, integrantes das famílias alegaram possuir documentos referentes ao terreno.

A Funai, no entanto, informou que a documentação deverá ser contestada judicialmente, uma vez que a área integra uma terra indígena homologada.

Agora, as comunidades aguardam uma resposta dos órgãos competentes. As lideranças afirmam que desejam uma solução pacífica, mas deixam claro que não pretendem aceitar a continuidade da ocupação.

Até a última atualização, não havia confirmação de decisão judicial determinando a retirada das famílias. Também não havia informação sobre uma resposta oficial das autoridades ao prazo estabelecido pelos indígenas.