Mulher de Toni Cunha propõe criação de Secretaria Gay e enfrenta forte reação negativa em Marabá

25 mar

A primeira-dama de Marabá, Lanúzia Lobo, protagonizou nesta terça-feira (25) a apresentação de um projeto de lei que propõe a criação da Secretaria de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Mulheres. Mesmo sem ocupar cargo oficial na estrutura da prefeitura, ela foi responsável por protocolar a matéria na Câmara Municipal em nome do Poder Executivo.

A proposta inclui a implementação de políticas públicas voltadas a diferentes segmentos sociais, entre eles a população LGBT+. A inclusão desse eixo temático desencadeou reações imediatas em setores que apoiaram a eleição do prefeito Toni Cunha, especialmente entre lideranças evangélicas.

Nos bastidores, aliados do governo classificam a iniciativa como um movimento que contraria compromissos assumidos durante a campanha. Representantes religiosos apontam divergência entre o conteúdo do projeto e as pautas defendidas publicamente pelo grupo político que hoje ocupa o Executivo municipal.

A atuação direta da primeira-dama no encaminhamento da proposta também passou a ser questionada. Sem função formal na administração, a participação dela no processo legislativo levanta discussões sobre a condução interna do governo e a definição de responsabilidades institucionais.

Além disso, movimentos ligados à defesa dos direitos das mulheres criticaram o formato da secretaria proposta. Para essas organizações, a junção de diferentes agendas em uma única pasta pode comprometer a efetividade de políticas específicas para o público feminino, pauta que havia sido destacada durante o período eleitoral.

A proposta também gerou forte reação dentro da própria comunidade LGBT+ de Marabá, que denuncia a ausência total de diálogo na construção do projeto. A ONG Atitude LGBT+, responsável pela organização da Parada LGBT+ no município, se manifestou publicamente contra a iniciativa e levantou suspeitas sobre o uso político da pauta.

Para a entidade, a proposta indica uma tentativa de instrumentalização de grupos vulneráveis em um contexto político sensível, sem a construção de políticas públicas efetivas.

A ausência de manifestação oficial por parte do prefeito Toni Cunha e de sua equipe ampliou a repercussão do caso. O silêncio da gestão ocorre em meio ao aumento das críticas, tanto de setores religiosos quanto de grupos sociais que apontam incoerência entre o projeto apresentado e compromissos políticos anteriores.

O texto segue agora para análise nas comissões da Câmara Municipal, onde deverá enfrentar debate diante da resistência já manifestada por parte da base política do governo.