Na política, a confiança do eleitor é construída com coerência e transparência. Por isso, quando um parlamentar passa a ocupar o centro de rumores envolvendo uma suposta negociação milionária para declarar apoio político, não basta simplesmente afirmar que tudo não passa de “mentira”. A sociedade espera explicações convincentes e, principalmente, fatos.
O vereador Ubirajara Sompré tornou público seu apoio ao pré-candidato Eugênio Gadelha, marido da atual prefeita de Canaã dos Carajás. A movimentação, por si só, faz parte do jogo democrático. O problema é que, paralelamente ao anúncio, surgiram nos bastidores informações sobre uma suposta negociação financeira envolvendo esse apoio.
Até o momento, não há provas públicas que confirmem essa alegação. O vereador, em nota enviada à redação, negou categoricamente qualquer recebimento de valores e afirmou que alianças políticas decorrem de diálogo e convergência de projetos.
A negativa, contudo, não elimina o desgaste político provocado pelo episódio.
Quem pretende ocupar espaços maiores de poder precisa compreender que sua vida pública está sujeita ao escrutínio permanente da sociedade. Quanto maior a projeção política, maior a responsabilidade de agir com absoluta transparência e de prestar contas à população. Quem não lembra do episódio em que o hoje vereador Ubirajara Sompré ostentava dinheiro e dançava alcoolizado na beira de uma piscina? Veja o vídeo abaixo.
O eleitor paraense já assistiu, ao longo da história, a inúmeros escândalos envolvendo acordos de bastidores e negociações políticas. Esse contexto torna inevitável que qualquer suspeita dessa natureza desperte desconfiança e cobre explicações claras.
É justamente esse o papel do jornalismo: perguntar, investigar e cobrar esclarecimentos. Não para condenar previamente ninguém, mas para impedir que dúvidas relevantes sejam simplesmente ignoradas.
A nota divulgada por Ubirajara Sompré representa sua versão dos fatos e merece registro. Contudo, a credibilidade de um agente público não se sustenta apenas por declarações de inocência, mas pela confiança que consegue transmitir à sociedade por meio de sua trajetória e de seus atos.
No fim das contas, a política exige muito mais do que alianças estratégicas. Exige transparência, coerência e disposição para enfrentar questionamentos legítimos da opinião pública. E, diante da repercussão do caso, é exatamente isso que os eleitores esperam do vereador.