Arrogância de Toni Cunha ameaça projeto político de Lanúzia Lobo em Marabá

24 fev

O comportamento político do prefeito Toni Cunha (PL) tem provocado desgaste crescente em Marabá e pode comprometer diretamente a candidatura de sua esposa, Lanúzia Lobo, nas eleições deste ano. A avaliação já é feita abertamente por vereadores, lideranças comunitárias e integrantes do próprio grupo político do prefeito.

Toni rompeu com parte da base na Câmara, entrou em confronto público com a promotora Aline Tavares Moreira, discutiu com eleitores nas redes sociais e perdeu o apoio do vice-prefeito João Tatagiba, que declarou recentemente em um podcast local que a situação política entre eles é “irreversível” por uma “diferença de princípios e valores” O prefeito tem acumulado brigas em vez de alianças. Assista ao vídeo:

Nos bastidores, vereadores relatam pressão para alinhamento total ao projeto político do prefeito. Há queixas de que parlamentares estariam sendo constrangidos a não apoiar adversários, como o deputado estadual Chamonzinho, e nem mesmo interagir com conteúdos considerados opositores nas redes sociais, como notícias das páginas Portal Correio, Portal Curupira Marabá, Portal Carajás Notícias, Blog Marabá & Fatos, Portal Cidade Atual, Marabá Urgente, Notifica Marabá, Portal Aqui é Marabá e Marabá News. Lideranças da zona rural também relatam dificuldades de diálogo direto, afirmando que o acesso ao prefeito se tornou mais restrito.

Para se ter dimensão da loucura política que ocupa o gabinete da Prefeitura de Marabá, o Portal Curupira Marabá obteve nesta semana um relato perturbador de uma liderança da zona rural do município após uma reunião com o gestor. No relato, a liderança afirma que procurou Toni em busca de melhorias para a zona rural, mas o prefeito teria pedido, em contrapartida, que a liderança o defendesse nas redes sociais e, somente depois de analisar a “desenvoltura” nos comentários, que mandaria executar os serviços para a comunidade rural.

Outro ponto que ampliou críticas foi a compra de veículo blindado e o reforço de segurança pessoal. Cabe recordar que, há poucas semanas, o gestor também anunciou a compra de um helicóptero para, segundo ele, atuar na saúde e segurança pública. E até usou a morte do médico Arlen Braga, sem qualquer respeito pela dor dos familiares, para justificar mais uma medida extravagante. Para parte da população, as medidas passam a imagem de distanciamento e reforçam a percepção de que o prefeito governa de forma centralizada e pouco aberta ao contraditório.

Lanúzia Lobo entra na disputa eleitoral carregando esse cenário. A candidatura depende diretamente do capital político do prefeito. Se Toni estiver desgastado, a campanha também estará. Se houver rejeição ao estilo de gestão, isso pode refletir nas urnas. O cenário lembra muito a eleição de 2014, quando o prefeito era João Salame, que elegeu o irmão Beto Salame deputado federal, às custas da estabilidade administrativa do município, que entrou numa crise sem precedentes a partir de então. Toni vem seguindo o mesmo caminho e, não à toa, já vem sendo comparado com frequência a João Salame e Maurino Magalhães.

Além disso, aliados reconhecem que Lanuzia ainda precisa consolidar identidade política própria. Até o momento, sua imagem está diretamente vinculada ao projeto do marido. Em caso de rejeição ao prefeito, a candidatura pode enfrentar resistência fora do núcleo governista.

O cenário eleitoral, portanto, tende a funcionar como um teste direto do poder político de Toni Cunha. A estratégia de confronto permanente pode mobilizar uma base fiel, mas também pode limitar a capacidade de ampliar apoios. Em política, isolamento costuma ter custo.

A eleição deste ano mostrará se a postura adotada pelo prefeito fortalece seu grupo ou se a falta de articulação política se tornará o principal obstáculo para o projeto familiar nas urnas.