Motorista preso com carga de cocaína diz que trabalhava para manter tratamento do filho autista

7 abr

A apreensão de mais de uma tonelada de cocaína na região sudeste do Pará ganhou um novo elemento após a manifestação da defesa do motorista preso durante a operação.

De acordo com o advogado criminalista Diego Adriano Freires, que assumiu o caso, o motorista Rodrigo Correia de Almeida nega qualquer envolvimento com o transporte da droga e afirma que exercia a profissão para custear o tratamento do filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo o também defensor do acusado Advogado Caio Lins, o investigado é pai presente e sempre atuou como motorista profissional, sem histórico de envolvimento com atividades ilícitas. A situação familiar, segundo o advogado, reforça a necessidade de cautela na análise do caso e possível liberdade provisória em seu favor.

Defesa sustenta ausência de conhecimento

A droga foi encontrada em compartimentos ocultos na carreta, o que, de acordo com a defesa, levanta dúvidas sobre o conhecimento do motorista acerca do conteúdo transportado.

“O caminhão possuía estrutura adaptada. Não há prova, até o momento, de que ele tivesse ciência da existência da droga. Ele pode ter sido utilizado por terceiros”, afirmou o advogado.

Comportamento durante abordagem chama atenção

Outro ponto destacado pela defesa é o comportamento do motorista no momento da abordagem. Conforme relato, ele permaneceu no local aguardando a chegada da Polícia Rodoviária Federal, sem tentar fugir.

Para o advogado, a postura é incompatível com a de alguém que teria plena consciência de transportar uma carga ilícita de grande proporção.

Audiência de custódia e pedido de liberdade

A audiência de custódia está prevista para ocorrer nas próximas horas. A defesa pretende solicitar que o motorista responda ao processo em liberdade, destacando que ele possui endereço fixo, bons antecedentes e mais de 12 anos de atuação profissional.

Investigação segue em andamento

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que deverá aprofundar as apurações sobre a origem da droga e possíveis envolvidos no esquema.

A defesa afirma que irá atuar para demonstrar a ausência de dolo por parte do motorista e reforça que o acusado deve ter garantido o direito de provar sua inocência.