Prefeitura de Tucuruí vai pagar R$ 1 milhão por 1h15 de show de Bruno & Marrone

23 dez

Em meio a uma sucessão de críticas aos gastos públicos com grandes shows no Pará — como ocorreu recentemente em Marabá, onde a contratação de artistas com cachês milionários gerou forte reação popular — a Prefeitura de Tucuruí decidiu seguir o mesmo caminho. Sob a gestão do prefeito Alexandre Siqueira, o município vai desembolsar R$ 1.050.000,00 para apenas 75 minutos de apresentação da dupla Bruno & Marrone, em um cenário no qual cidades enfrentam problemas estruturais graves. Gastar cifras milionárias com cantores enquanto a população convive com serviços precários, ruas deterioradas e demandas urgentes em saúde e educação não é apenas uma escolha política questionável — é, para muitos, uma imoralidade administrativa.

A contratação integra um pacote de shows para o aniversário da cidade que soma quase R$ 2 milhões apenas em cachês. O contrato nº 20250213, disponível no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), escancara que o valor pago à dupla sertaneja é apenas a ponta do iceberg. Além do cachê milionário, a prefeitura assumiu uma série de exigências que elevam substancialmente o custo real do evento, ampliando o impacto sobre os cofres públicos.

Entre as obrigações estão hospedagem em hotel não inferior a quatro estrelas para 36 pessoas, três camarins, 15 carregadores, segurança privada, ambulâncias, estrutura completa de palco, som e iluminação, além da disponibilização de quatro vans para transporte da equipe dentro do município. São despesas adicionais que não aparecem no valor do cachê, mas que recaem integralmente sobre o contribuinte.

Além de Bruno & Marrone, a programação oficial inclui outros artistas contratados com recursos públicos:

26/12 – Viviane Batidão: R$ 256.000,00

27/12 – Zé Felipe: R$ 500.000,00

28/12 – Bruno & Marrone: R$ 1.050.000,00

29/12 – Kailane Frauches: R$ 150.000,00

No total, são R$ 1.956.000,00 em apenas quatro dias, considerando somente os cachês. O montante não inclui gastos com montagem da estrutura, logística, segurança e demais serviços operacionais, o que eleva ainda mais o custo final do evento.

A decisão da gestão Alexandre Siqueira reforça um modelo de administração que privilegia eventos de alto impacto midiático em detrimento de investimentos estruturantes. Em um contexto de crise econômica e social, a opção por shows milionários expõe uma desconexão entre o discurso institucional e a realidade enfrentada pela população.

A execução contratual está sob fiscalização do servidor André Silva de Oliveira, conforme registrado nos documentos oficiais. Ainda que os atos estejam formalmente publicados, permanece a pergunta central: é razoável e moral comprometer quase R$ 2 milhões em entretenimento enquanto necessidades básicas seguem sem resposta? Essa é a conta que Tucuruí, mais uma vez, será chamada a pagar.