Esposo de promotora rebate Toni Cunha e denuncia tentativa de desviar foco de investigação

12 fev

O empresário Eduardo Barbosa, esposo da promotora de Justiça Aline Tavares Moreira, rompeu o silêncio e enviou nota exclusiva ao Portal Curupira Marabá para rebater as declarações do prefeito de Marabá, Antônio Cunha Sá (PL), que passou a fazer ataques públicos e insinuações pessoais contra a integrante do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). Na manifestação, o empresário classificou as alegações como “totalmente infundadas” e denunciou o que considera uma tentativa deliberada de desviar o foco das investigações que atingem diretamente a gestão municipal.

A nota foi encaminhada após o prefeito utilizar suas redes sociais para mencionar o nome do empresário e insinuar, sem apresentar qualquer prova, uma suposta interferência externa nas apurações conduzidas pela promotora. A ofensiva ocorre em meio a uma investigação do Ministério Público que apura uma licitação estimada em cerca de R$ 6 milhões, realizada pela Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (SEVOP), destinada à construção de abrigos provisórios para famílias atingidas pelas cheias dos rios Tocantins e Itacaiúnas.

Ao Portal Curupira Marabá, Eduardo Barbosa foi categórico ao negar qualquer relação com a administração municipal ou participação em contratos públicos.

“Esclareço que não tenho qualquer interferência no trabalho da Dra. Aline, minha esposa, Promotora de Justiça há 31 anos, há 2 anos apenas na promotoria da improbidade. Ela exerce suas funções com independência e tem o dever de apurar todas as denúncias que lhe são encaminhadas”, afirmou.

O empresário também refutou diretamente as insinuações levantadas pelo prefeito.

“Sobre a menção ao meu nome, deixo claro que não tenho ligação relevante com político algum, não possuo contratos com Prefeitura e jamais participei de licitação. Insinuações nesse sentido são totalmente infundadas.”

A manifestação expõe o caráter das acusações feitas pelo chefe do Executivo municipal, que, diante de uma investigação formal conduzida pelo órgão constitucionalmente responsável por fiscalizar a legalidade da administração pública, optou por atacar a esfera pessoal de uma promotora em vez de apresentar esclarecimentos técnicos sobre o processo sob apuração.

Na nota enviada ao Portal Curupira Marabá, Eduardo Barbosa também criticou o comportamento adotado pelo prefeito, classificando-o como incompatível com a responsabilidade institucional do cargo que ocupa.

“O que se vê é uma reação desproporcional diante de apurações que fazem parte do trabalho do MP. Quando não se consegue rebater com fatos, parte-se para ataques pessoais. Além disso, a postura intimidatória adotada em redes sociais por parte do prefeito não contribui para o debate público e apenas reforça a tentativa de desviar o foco do que realmente precisa ser esclarecido.”

Ele concluiu defendendo que qualquer questionamento deve ocorrer dentro dos canais legais e com base em provas, e não por meio de exposição pública e insinuações.

“Se há algo a ser discutido, que seja com documentos, transparência e dentro dos canais adequados — não com insinuações e exposição da vida pessoal sem qualquer prova.”

A promotora Aline Tavares Moreira, que atua há mais de três décadas no Ministério Público e desde 2024 responde pela Promotoria de Defesa da Probidade Administrativa em Marabá, não se manifestou publicamente sobre os ataques, mantendo a postura técnica e institucional que caracteriza a atuação do órgão.

Prefeito acumula histórico de ataques ao Ministério Público

Esta não é a primeira vez que Toni Cunha confronta publicamente o Ministério Público. Desde o início de sua gestão, o prefeito tem reagido com hostilidade a recomendações e investigações conduzidas pelo órgão, inclusive anunciando que acionaria o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a promotora.

Entre os episódios que ampliaram o desgaste institucional está a Recomendação nº 07/2025-MP/11ªPJMAB, na qual a promotora orientou o prefeito a impedir a participação de familiares e pessoas sem vínculo formal com o município em atos custeados com recursos públicos, em respeito ao princípio constitucional da impessoalidade. A recomendação atingiu diretamente práticas adotadas no âmbito da gestão municipal e marcou o início de um confronto aberto entre o Executivo e o órgão de fiscalização.

À época, a Associação do Ministério Público do Estado do Pará (AMPEP) divulgou nota pública em defesa da promotora, reafirmando a independência funcional dos membros da instituição e repudiando ataques pessoais contra representantes do MP.

Deputado acusa prefeito de criar “cortina de fumaça”

A escalada de ataques promovida pelo prefeito também motivou reação do deputado estadual Chamonzinho (MDB), que publicou vídeo nas redes sociais criticando duramente a postura de Toni Cunha e saindo em defesa da promotora.

Segundo o parlamentar, o prefeito tem ultrapassado os limites ao tentar deslegitimar o trabalho do Ministério Público e recorrer a ataques pessoais como estratégia política.

Chamonzinho afirmou que investigações e recomendações fazem parte do funcionamento normal das instituições democráticas e acusou o prefeito de tentar criar uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção pública de problemas e investigações que atingem sua gestão, incluindo a apuração da licitação milionária conduzida pela SEVOP.

Ataques pessoais expõem fragilidade diante das investigações

Delegado da Polícia Federal licenciado e bacharel em Direito, Toni Cunha construiu sua imagem pública com base em um discurso de defesa da legalidade e combate a irregularidades. No entanto, sua reação diante de investigações conduzidas pelo Ministério Público revela uma postura de confronto direto com o próprio sistema de controle responsável por fiscalizar o poder público.

Ao optar por atacar a vida pessoal de uma promotora e mencionar seu companheiro sem apresentar provas, como é de seu feitio, o prefeito desloca o debate do campo institucional para o terreno da intimidação e da tentativa de deslegitimação — uma estratégia que levanta questionamentos sobre sua capacidade de lidar com o escrutínio público e o controle legal que acompanha o exercício do poder.

Enquanto isso, a investigação sobre a licitação de R$ 5,4 milhões segue em andamento, sob responsabilidade do Ministério Público, e poderá trazer novos desdobramentos sobre a legalidade dos atos praticados pela administração municipal.