Com marmitas cortadas por Toni Cunha, garis são acusados de pedir refrigerante para recolher lixo de estabelecimento em Marabá

25 jun

Um vídeo publicado por um empresário de Marabá nas redes sociais provocou repercussão nesta quinta-feira (25) ao mostrar trabalhadores da coleta de lixo durante o expediente após um desentendimento envolvendo um pedido de refrigerante e comida. As imagens foram gravadas em frente ao estabelecimento comercial e mostram o empresário abordando a equipe de limpeza urbana, enquanto registra a situação em vídeo.

Segundo o próprio comerciante, a equipe responsável pela coleta de resíduos passou pelo local na noite de quarta-feira (24) e solicitou refrigerante. Ele afirmou que costumava fornecer refrigerantes e até refeições aos trabalhadores com frequência, mas que, naquela ocasião, um funcionário informou que não seria possível atender ao pedido porque o estabelecimento acompanhava a partida da Seleção Brasileira.

Ainda de acordo com o relato divulgado pelo empresário, o responsável pela equipe de coleta teria reagido afirmando: “Não vou catar o lixo aqui, agora só sexta-feira porque não querem me dar refrigerante”. A alegação de que o lixo deixaria de ser recolhido em razão da negativa ainda não foi confirmada oficialmente pelo município.

Após o desentendimento, o empresário decidiu gravar a equipe durante o serviço e publicou os vídeos em suas redes sociais. Embora os rostos dos trabalhadores tenham sido parcialmente desfocados, as imagens rapidamente passaram a circular e deram ampla visibilidade ao episódio.

O caso também trouxe novamente à tona a situação enfrentada pelos servidores da limpeza urbana de Marabá. Nos últimos meses, trabalhadores da categoria têm relatado falta de valorização profissional, remuneração considerada defasada e a retirada das marmitas fornecidas durante a jornada de trabalho. A medida foi adotada pela atual gestão municipal sob a justificativa de redução de despesas.

O cenário contrasta com os elevados gastos públicos realizados pela Prefeitura de Marabá em outras áreas da administração. Somente por meio de adesões a atas de registro de preços, as contratações já ultrapassam R$ 400 milhões, além das despesas destinadas à contratação de artistas nacionais para eventos promovidos pelo município.

Independentemente da apuração sobre a suposta recusa na coleta do lixo, o episódio gerou debate sobre a forma como trabalhadores que exercem um serviço essencial foram expostos nas redes sociais. Para especialistas em administração pública e relações de trabalho, eventuais irregularidades na prestação do serviço devem ser comunicadas aos órgãos competentes, permitindo a apuração dos fatos e o exercício do contraditório.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Comunicação e o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) para solicitar esclarecimentos sobre a suposta recusa da equipe em recolher os resíduos do estabelecimento e para saber se o caso será apurado administrativamente. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos municipais e dos trabalhadores envolvidos.