Ex-vereador é suspeito de comandar esquema de cobranças irregulares no Terminal Rodoviário do Km 6

28 jan

O ex-vereador Raimundo da Silva Souza, conhecido como Raimundinho do Comércio, atual coordenador do Terminal Agro-Rodoviário Miguel Pernambuco (TAROMP), no Km 6 da BR-230, em Marabá, é alvo de uma denúncia apresentada ao prefeito Delegado Toni Cunha (PL) e ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) por permissionários e vendedores ambulantes que atuam no local. O terminal é de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Marabá.

Segundo os denunciantes, Raimundinho do Comércio foi nomeado pelo prefeito em maio de 2025 para atuar na coordenação do terminal e, a partir disso, passou a promover cobranças diretas de taxas sem respaldo formal, com arrecadação que, de acordo com os relatos, não estaria sendo repassada aos cofres do município. Tudo isso no governo do delegado licenciado da Polícia Federal.

Entre as principais alegações está a cobrança pelo uso dos banheiros do terminal, sendo R$ 3 para uso do sanitário e R$ 5 para tomar banho. Os trabalhadores afirmam que, a depender do fluxo diário de passageiros, a arrecadação total com o serviço pode chegar a uma média de R$ 2 mil por dia. Ainda segundo a denúncia, os valores estariam sendo recebidos por meio de transferências via Pix e também em dinheiro, sem qualquer controle público ou prestação de contas.

Os permissionários relatam que, em determinado período, os pagamentos via Pix teriam sido direcionados para contas de familiares do administrador, incluindo o sobrinho Felipe da Silva Sousa Betini e uma namorada do sobrinho, Marianny Melo de Oliveira, que, conforme a denúncia, não possuem vínculo formal com a Prefeitura de Marabá nem autorização legal para arrecadar recursos em nome do terminal. Atualmente, os pagamentos estão caindo diretamente na conta de Raimundinho do Comércio.

Além da cobrança dos banheiros, os denunciantes afirmam que há exigência de pagamento mensal de R$ 100 por boxe e também de vendedores ambulantes, sob ameaça de retirada dos pontos comerciais. Os trabalhadores sustentam que tais cobranças não são acompanhadas de recibos oficiais nem de comprovação de recolhimento ao erário municipal.

Outro ponto citado é a obrigatoriedade de fechamento dos boxes para pintura, com cobrança de R$ 300 por unidade. De acordo com os permissionários, a tinta utilizada teria sido retirada da Secretaria Municipal de Obras, o que levanta questionamentos sobre a legalidade da cobrança por um serviço realizado com material público.

Os relatos também indicam ausência de transparência quanto ao destino dos valores arrecadados com taxas de transporte, uso de banheiros, contribuições dos cerca de 120 boxes existentes no terminal e de vendedores ambulantes. Os trabalhadores afirmam desconhecer qualquer prestação de contas ou relatório financeiro da administração do espaço.

Felipe Betini (à esquerda), sobrinho do ex-vereador, não possui portaria do município para atuar no Terminal, mas até uniforme o parente do coordenador utiliza

A denúncia foi formalmente encaminhada ao prefeito de Marabá, Toni Cunha, e ao MPPA, com pedido de apuração das cobranças realizadas, investigação sobre possível arrecadação paralela, esclarecimento do destino dos recursos e adoção de providências administrativas, incluindo eventual afastamento dos responsáveis, caso as irregularidades sejam confirmadas.

O Portal Curupira Marabá procurou Raimundinho do Comércio e o sobrinho do ex-vereador para que se manifestassem sobre as denúncias. Ambos condicionaram qualquer posicionamento à presença de algum integrante da equipe de reportagem no Terminal Rodoviário na tarde desta quarta-feira (28). A Prefeitura Municipal de Marabá também foi acionada, mas não se pronunciou até o fechamento desta matéria. Nenhuma nota oficial foi encaminhada, e o espaço permanece aberto para manifestação dos citados e do Poder Executivo municipal.