A audiência pública de prestação de contas do 3º quadrimestre de 2025, realizada nesta terça-feira (7), na Câmara Municipal de Marabá, expôs um dado que rapidamente elevou a temperatura no meio político: a Ouvidoria Geral do Município, comandada por Cristino Carreiro, consumiu R$ 369.125,53 em apenas quatro meses.
O número, apresentado pelo secretário municipal de Planejamento e Controle, Karan El Hajjar, durante a exposição da execução orçamentária do governo Toni Cunha, chamou atenção pelo contraste com áreas que possuem atuação operacional direta e maior capilaridade de serviços.
A disparidade fica ainda mais evidente quando comparada a outras estruturas da administração no mesmo período: a Secretaria de Turismo registrou R$ 191 mil; o Fundo da Criança e do Adolescente, R$ 49 mil; o Departamento de Postura, R$ 20 mil; e o Patrimônio Público, apenas R$ 8,8 mil.
O que mais incomodou vereadores foi o fato de a Ouvidoria — formalmente vinculada ao Paço Municipal e sem a dimensão estrutural de uma secretaria, conforme o próprio portal institucional — apresentar custo superior ao de setores com demanda diária mais visível à população.

Diante da repercussão imediata, os vereadores Ubirajara Sompré, Jocenilson, Vanda Américo, Ilker Moraes e Aerton Grande protocolaram requerimento conjunto exigindo que Cristino Carreiro compareça ao plenário para detalhar os gastos e apresente a folha completa de pagamento da Ouvidoria.
A cobrança ganhou peso político porque, nos bastidores, cresce a avaliação de que o volume de recursos não encontra correspondência em entregas públicas, indicadores de produtividade ou resultados concretos facilmente identificáveis pela população.
O episódio também reaquece questionamentos antigos em torno do nome de Cristino Carreiro, hoje instalado em cargo estratégico na gestão municipal após ter sido derrotado nas urnas. Para interlocutores do Legislativo, a permanência de um aliado político em uma estrutura com orçamento relevante e baixa exposição operacional naturalmente exige redobrada vigilância sobre finalidade, economicidade e interesse público.
Outro ponto que ampliou a tensão foi a disputa silenciosa por espaço político em Morada Nova, reduto eleitoral compartilhado por Cristino, Aerton Grande e Dean Guimarães. Nos corredores da Câmara, a leitura é de que a cobrança formal mistura dois elementos explosivos: fiscalização orçamentária legítima e antecipação de movimentos eleitorais para 2026.
Seja qual for a motivação de fundo, o fato é que os números colocaram Cristino Carreiro novamente no centro do debate público. Agora, a expectativa gira em torno do detalhamento das despesas, especialmente folha de pessoal, contratos, estrutura administrativa e metas efetivamente entregues.
Sem essas respostas, a cifra de quase R$ 370 mil em quatro meses tende a aprofundar a desconfiança política e alimentar a percepção de que a Ouvidoria se tornou mais um espaço de acomodação de interesses dentro da máquina pública do que um canal efetivo de resposta ao cidadão.