350 famílias podem ficar sem teto em Marabá e cobram ajuda da Prefeitura para evitar despejo

22 set

Cerca de 350 famílias vivem dias de incerteza em Marabá diante da possibilidade de serem retiradas das áreas onde moram há mais de dois anos. Os moradores das ocupações Morro Alto, 25 de Julho e Ferrovia, localizadas entre o Bairro Nossa Senhora Aparecida e a Estrada de Ferro Carajás, enfrentam um processo judicial que pode resultar no despejo das comunidades.

A preocupação aumentou após uma decisão da Justiça estabelecer prazo de 20 dias, contado a partir de 17 de setembro, para a realização de uma reunião que poderá definir os próximos passos do processo. Para quem vive nas ocupações, o medo é de perder o pouco que conseguiu construir e não ter para onde ir.

Segundo informações da TV Correio, a maioria dos moradores é formada por famílias de baixa renda, muitas delas dependentes de programas sociais e sem condições financeiras de pagar aluguel.

“Eu não quero ir embora daqui porque não tenho condição de pagar aluguel, não tenho condição de ir embora para outro canto. Pretendo fazer minha casa e morar aqui”, desabafou a dona de casa Renata Sotero.

A técnica de enfermagem Lucivania Costa também relatou a situação enfrentada pelas comunidades. Segundo ela, muitas famílias chegaram às ocupações justamente por não conseguirem arcar com os custos de uma moradia.

“A gente veio em busca de um lar. Há muitas famílias aqui que vivem de Bolsa Família, então a renda é pouca, é fraca e não dá para pagar aluguel”, contou.

Famílias cobram ajuda da Prefeitura de Marabá

Diante da ameaça de despejo, os moradores decidiram buscar apoio do poder público. A presidente da Associação dos Moradores do Bairro Ferrovia, Kessia da Silva, afirma que as comunidades tentam encontrar uma solução para evitar que centenas de pessoas fiquem sem teto.

A Prefeitura de Marabá, inclusive, pode ter um papel importante no processo. Segundo o advogado Asivan Cavalcante, que atua na defesa da associação, o município foi intimado e poderá ingressar na ação judicial como parte interessada.

De acordo com ele, caso a Prefeitura se manifeste favoravelmente aos ocupantes, a Justiça poderá reavaliar a liminar e, eventualmente, manter a suspensão do despejo por mais algum tempo.

Mas os moradores afirmam que, até agora, não conseguiram sequer ser recebidos pelo prefeito.

Kessia relatou que representantes das comunidades participaram de um comício da esposa do gestor municipal, candidata a deputada, ocasião em que teriam recebido uma promessa de apoio.

“Nós fomos a um comício da mulher do prefeito, prestamos nosso apoio, e o gestor prometeu, naquele mesmo dia, que estava junto com a gente, que queria nos ajudar e nos receber para ouvir a nossa causa. Porém, já se passaram 15 dias desde o comício, e o prefeito nunca nos recebeu nem nos atendeu”, afirmou a presidente da associação.

A promessa relatada pelos moradores, no entanto, ainda não se transformou em uma reunião com a Prefeitura. Enquanto o processo judicial avança, as famílias continuam aguardando uma resposta.

A reportagem procurou a Prefeitura de Marabá para saber qual será o posicionamento do município diante da situação das três ocupações, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

Agora, a preocupação é com o futuro de aproximadamente 350 famílias que podem perder o lugar onde vivem. Sem condições de pagar aluguel e sem uma alternativa de moradia, os moradores esperam que o poder público participe das discussões e ajude a construir uma solução antes que a possibilidade de despejo se torne realidade.