Vereador do PT é convidado por Toni Cunha para reunião em mansão de Dr. Daniel em Fortaleza com viagem paga por dinheiro público

30 abr

Uma viagem marcada para os próximos dias à cidade de Fortaleza, envolvendo o prefeito Toni Cunha (PL), o vereador Marcelo Alves (PT) e outros quatro parlamentares de Marabá, está no centro de uma grave denúncia que levanta questionamentos sobre possível desvio de finalidade no uso de recursos públicos da Câmara Municipal.

Oficialmente, a justificativa apresentada seria uma visita institucional para conhecer a Secretaria de Planejamento da capital cearense. No entanto, o Portal Curupira Marabá teve acesso a elementos e informações que colocam em xeque essa versão. De acordo com a denúncia, o convite para a viagem teria partido diretamente do prefeito de Marabá, Toni Cunha, e do vereador Cabo Rodrigo (PL), líder do governo na Câmara, o que levanta dúvidas legítimas sobre o real caráter da agenda.

Nos bastidores, a versão que circula é ainda mais preocupante: a suposta missão oficial pode servir apenas como fachada para uma agenda política reservada, que incluiria um encontro na mansão do ex-prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel, apontado como pré-candidato ao Governo do Pará. Cabe lembrar que a tal mansão já apareceu até no programa Fantástico, da TV Globo, pois teria sido adquirida com dinheiro sujo da “vaquinha da corrupção”. A possível reunião, longe do escrutínio público, indicaria articulações políticas de bastidores, envolvendo alianças e alinhamentos estratégicos.

A pergunta que se impõe é direta: trata-se de uma missão oficial legítima, a serviço do interesse público, ou de uma viagem política disfarçada, financiada com dinheiro do contribuinte marabaense?

Segundo a denúncia recebida pela reportagem, há fortes indícios de que as diárias pagas pela Câmara Municipal — recursos públicos — estariam sendo utilizadas como pretexto para custear uma viagem com objetivos políticos e pessoais. A crítica é ainda mais contundente ao apontar que esse tipo de prática estaria sendo recorrente, com justificativas técnicas sendo utilizadas para encobrir agendas de articulação política.

Procurado pela reportagem, o vereador Marcelo Alves confirmou a viagem, mas logo em seguida desconversou e negou qualquer irregularidade. Segundo ele, trata-se de uma agenda oficial, realizada a convite da prefeitura, e afastou qualquer vínculo ou articulação com Dr. Daniel. “A explicação, no entanto, não foi suficiente para dissipar as suspeitas. “Se fosse pra curtir, eu ia era final de semana, era sábado e domingo, não iria meio de semana; quarta não sei se é quarta ou quinta, uma coisa assim, enfim…”, afirmou Marcelo em áudio enviado à redação.

Vereador já foi preso e tem histórico de corrupção

O histórico do parlamentar também adiciona uma camada ainda mais sensível ao caso. Marcelo Alves foi preso em julho de 2015 durante a Operação “Terra Legítima”, conduzida pela Polícia Federal, sob comando do então delegado Antônio Carlos Cunha Sá — o mesmo que hoje ocupa o cargo de prefeito de Marabá. À época, Marcelo atuava como chefe do escritório local do programa Terra Legal e foi acusado de cobrar propina para acelerar processos de regularização fundiária no Incra.

Posteriormente, ele foi condenado a 8 anos de prisão por corrupção passiva.

De opositor a aliado

O contraste se torna ainda mais evidente quando se relembra que, no início da atual gestão municipal, em 2025, o próprio Marcelo Alves registrou um boletim de ocorrência contra o prefeito Toni Cunha, alegando ter sido alvo de ameaças por meio de áudios enviados via WhatsApp. Desde então, no entanto, o cenário mudou radicalmente: o vereador passou a ser visto com frequência ao lado do prefeito, reduziu o tom das críticas à gestão e tem sinalizado apoio a pautas do governo.

Além disso, chama atenção o fato de Marcelo Alves, filiado ao PT, ter se aproximado de figuras e grupos ligados à direita local, evidenciando uma mudança de postura política que levanta questionamentos sobre coerência ideológica e interesses por trás dessas alianças.

MP deve apurar gasto com diárias da Câmara

A denúncia agora ganha contornos mais amplos e exige atenção das instituições de controle. Diante da gravidade dos fatos, cresce a pressão para que órgãos como o Ministério Público investiguem a legalidade da viagem, a origem dos recursos utilizados e a real finalidade da agenda em Fortaleza.

Enquanto isso, a sociedade marabaense segue sem respostas claras — e, mais uma vez, diante da suspeita de que o dinheiro público pode estar sendo utilizado para fins que passam longe do interesse coletivo.