A pressão aumentou para a gestão da prefeita Marcellanne Cristina (PP) em São João do Araguaia. Uma manifestação de estudantes por melhorias na educação chegou à Câmara Municipal e serviu de combustível para uma saraivada de críticas do vereador Dr. Manuca (Avante) contra a administração municipal.
Da tribuna, o parlamentar apoiou a mobilização dos alunos e colocou no colo da Prefeitura uma lista de problemas que passa pelo transporte escolar, estrutura das escolas, iluminação pública e atendimento na saúde.
Um dos pontos mais espinhosos envolve estudantes de comunidades como Ponta de Pedra e do assentamento Primeiro de Março. Segundo Dr. Manuca, a falta de transporte regular e a superlotação dos ônibus estariam fazendo alunos perderem aulas e até dias de prova.
A denúncia ganhou contornos ainda mais graves quando o vereador apresentou imagens que, segundo ele, mostram um ônibus escolar da região da Prata com o assoalho rachado.
Dr. Manuca questionou como um veículo nessas condições poderia continuar transportando crianças e adolescentes e afirmou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público.
O problema atinge uma das áreas mais sensíveis da gestão Marcellanne. A própria estrutura administrativa da Secretaria de Educação estabelece que o transporte escolar deve funcionar com segurança e que os veículos utilizados no serviço precisam receber manutenção.
O secretário municipal de Educação, Paulo Carvalho, também virou alvo do discurso.
O vereador disparou contra a condução da pasta e chamou o secretário de “fantoche”, questionando sua autonomia diante dos problemas enfrentados pelos estudantes. O vereador chegou a sugerir que Paulo deixe o cargo para evitar futuras complicações relacionadas às responsabilidades administrativas assumidas à frente da secretaria.
A artilharia não parou por aí. O parlamentar denunciou a existência de escolas da zona rural com fiação elétrica exposta e acusou a administração municipal de fazer uma espécie de “maquiagem” nas redes sociais, mostrando unidades estruturadas enquanto, segundo ele, outras escolas enfrentariam superlotação e problemas de conservação.
O discurso transbordou da educação para outros setores da administração. Dr. Manuca citou falta de iluminação pública na Vila Ponta de Pedras, criticou o atendimento da atenção básica de saúde e levantou suspeitas sobre folhas de ponto de servidores que apresentariam horários repetidos de entrada e saída.
Neste caso, as declarações não significam que exista fraude comprovada. Eventuais irregularidades dependem de apuração pelos órgãos competentes.
Marcellanne já enfrentou pedido de cassação
A nova dor de cabeça aparece depois de Marcellanne atravessar uma disputa judicial envolvendo o próprio mandato.
Após ser reeleita em 2024 com 5.455 votos (47,28%), apenas 119 votos à frente de Neusinha Martins (MDB), a prefeita e o vice Domingos Romualdo Alves Martins foram alvos de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).
A ação levantava acusações de abuso de poder político e econômico, captação ilícita de sufrágio e uso indevido da máquina pública. Em abril de 2025, porém, a Justiça Eleitoral considerou insuficientes as provas apresentadas e rejeitou o pedido de cassação, mantendo os dois nos cargos.