O primeiro ano da gestão Toni Cunha (PL) na Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri) é marcado pela ausência de resultados práticos e pelo abandono do setor produtivo. A permanência do secretário Arlis Pereira, que atuou como adjunto do ex-secretário Hiron Farias (exonerado pela incompetência administrativa), consolidou um cenário de imobilismo administrativo no atual governo, sem a implementação de novas diretrizes ou o cumprimento de cronogramas básicos de assistência ao campo.
Orçamento ocioso e gastos com pessoal
O balanço financeiro de 2025 expõe a prioridade da pasta: a manutenção da estrutura burocrática em detrimento do investimento final. Dos R$ 25 milhões orçados para a secretaria, a gestão executou apenas R$ 2 milhões em investimentos. Em contrapartida, o gasto com folha de pagamento somou R$ 5 milhões, o que significa que o custo para manter o corpo administrativo foi 150% superior ao valor efetivamente aplicado em benefício dos produtores rurais.
O colapso dos programas de fomento
A Seagri encerra o ciclo de doze meses com índice zero de execução em programas estratégicos. Áreas que deveriam nortear o desenvolvimento econômico local estão paralisadas. Não houve registros de atividades ou entregas nos seguintes setores:
Infraestrutura e insumos: Irrigação e entrega de calcário.
Cadeias produtivas: Avicultura, Piscicultura, Apicultura e Agroindústria.
Técnica: Assistência técnica presencial e projetos de pastejo rotacionado.
A ausência de assistência técnica e de distribuição de corretivos de solo (calcário) impacta diretamente a produtividade das famílias que dependem do suporte municipal para o preparo da terra e o manejo de culturas.
Frota sucateada: 75% das máquinas fora de operação
A precariedade da infraestrutura logística da Seagri é o indicador mais visível da crise na gestão. O maquinário, essencial para a abertura de tanques, manutenção de acessos e preparo de solo, encontra-se majoritariamente inoperante.
A situação do pátio da secretaria revela um cenário de abandono:
Tratores: Dos 26 veículos da frota, apenas seis estão em operação.
Retroescavadeiras: De um total de 04 unidades, somente uma está funcionando.
Escavadeira: O equipamento está parado há exatos 12 meses, sem realizar qualquer hora-máquina de serviço desde o início do atual período administrativo.

Continuidade de uma gestão ineficiente
A transição de Arlis Pereira do cargo de adjunto para o de titular da pasta não representou ruptura com o modelo anterior. Na prática, a Seagri atravessa um período de estagnação onde o orçamento disponível não se converte em ações, e o patrimônio público, representado pelo maquinário pesado, deteriora-se sem manutenção. O silêncio administrativo diante de uma frota majoritariamente quebrada e de programas zerados define o primeiro ano da Seagri sob a atual liderança.
O outro lado
A reportagem do Portal Curupira Marabá não obteve resposta da Seagri ou da Prefeitura de Marabá sobre os fatos relatados nesta matéria, mas mantém o espaço aberto para manifestação.