CAPS de Marabá nega acolhimento e manda pacientes embora por falta de profissionais; até gerente está de atestado

11 fev

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Castanheira, em Marabá, enfrenta um cenário de desorganização administrativa e restrição de atendimentos sob a atual gestão de Katiane Chaves, ex-gestora do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). A unidade, que deveria funcionar como referência em saúde mental pelo SUS no município, opera com equipe reduzida, apenas um médico por dia e limite médio de 10 atendimentos diários, deixando pacientes sem assistência.

Denúncias divulgadas nesta quarta-feira (11) pelo Portal Carajás Notícias e confirmadas pelo Portal Curupira Marabá apontam que usuários têm sido orientados a retornar para casa após o preenchimento das vagas do dia, mesmo comparecendo dentro do horário regular de funcionamento, das 8h às 16h. A limitação ocorre em um serviço que atende pessoas em acompanhamento psiquiátrico, psicológico e casos que demandam intervenção contínua.

A reportagem esteve na unidade e confirmou que há apenas um médico por turno. Quando o profissional falta, não há substituição. Um servidor da recepção, que se identificou como José, relatou que já houve dias sem médico e sem reposição, resultando na suspensão de atendimentos e no retorno de pacientes para casa sem consulta.

A própria gerente Katiane Chaves não foi encontrada em seu posto de trabalho na tarde desta quarta-feira. Segundo informações obtidas no local, ela está afastada por atestado médico, mesmo após ter retornado recentemente de período de férias. E a sua ex-substituta, Jaiane, afirmou hoje que não está mais respondendo pela gerência da unidade, que está à deriva e sem rumo.

Usuários também relataram que pessoas que procuraram o CAPS apenas para acolhimento e triagem, inclusive após passarem pelo Hospital Municipal com registros de tentativa ou ideação suicida, foram orientadas a retornar sem atendimento técnico imediato. A ausência de escuta qualificada em situações dessa natureza evidencia falhas graves na porta de entrada do serviço.

Além das limitações na assistência, a reportagem constatou problemas estruturais, como ausência de copos descartáveis no bebedouro e falta de material para registro de reclamações e sugestões.

O CAPS é a principal referência de saúde mental do município. A restrição de atendimentos, a ausência de substituição médica e a instabilidade administrativa revelam fragilidade na condução do serviço e impactam diretamente a população que depende exclusivamente da rede pública.

Procurada pela reportagem do Portal Curupira Marabá, a Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para esclarecimentos. Reportagem Portal Curupira Marabá com informações do Portal Carajás Notícias