Apresentado pela Prefeitura de Marabá como medida para enfrentar a fila de cirurgias eletivas, o Centro de Cirurgias Eletivas — instalado no antigo Hospital Santa Terezinha — começou a funcionar sob questionamentos. Logo no primeiro mês, pacientes relatam cancelamentos, falta de profissionais e limitações que comprometem o atendimento. As informações são do Portal Carajás Notícias.
É o caso do idoso Edson da Silva Pereira, morador da Vila Murumuru. Depois de anos aguardando, ele teve a cirurgia de hérnia marcada para a última quinta-feira (23). Antes da internação, porém, foi informado de que o procedimento não seria realizado por falta de anestesista e, segundo ele, também por ausência de leito. Até agora, não há nova data.
Apuração do Portal Carajás Notícias indica que a unidade opera apenas com anestesia básica, voltada a procedimentos simples, o que restringe a realização de cirurgias de maior complexidade. Na prática, pacientes que aguardam intervenções mais delicadas continuam sem atendimento, mesmo com a reativação do espaço.
O volume de procedimentos também chama atenção. Informações obtidas pelo Conselho Municipal de Saúde apontam que o centro tem realizado, em média, um paciente por dia, número distante da demanda acumulada no município e da promessa de realizar 10 cirurgias por dia. Há ainda queixas sobre a estrutura do prédio, falta de insumos e equipes incompletas, o que foi constatado durante fiscalização do conselho.
Outro dado que agrava o cenário é a queda no número de cirurgias realizadas. Segundo a Secretaria, houve redução superior a 92% nas cirurgias eletivas quando se compara 2024 (gestão de Tião Miranda) com 2025, já sob a gestão de Toni Cunha. O número reforça que a fila, em vez de diminuir, está aumentando consideravelmente.
Faltam insumos no HMI; Prefeitura de Marabá pede socorro ao Governo do Estado
A crise se estende a outras unidades. No Hospital Materno-Infantil de Marabá (HMI), servidores relatam falta de materiais e medicamentos nas últimas semanas. Para manter atendimentos, a unidade teria recorrido a empréstimos junto ao Hospital Regional. Há relatos de ausência de itens básicos, como luvas e até papel higiênico.
Funcionários também apontam o uso de detergente doméstico para higienização das mãos, prática inadequada em ambiente hospitalar e que pode aumentar o risco de infecção.
Até vereadores da base governista estão em alerta
A situação chegou à Câmara Municipal. Em reunião da Comissão de Saúde realizada na quinta-feira (23), o vereador Pacheco (PL), que integra a base do prefeito, reconheceu a falta de insumos no HMI e cobrou providências da Secretaria de Saúde.
Enquanto isso, pacientes seguem sem respostas e sem previsão de atendimento. O centro que deveria aliviar a fila começa a operar com limitações, e o sistema de saúde municipal enfrenta sinais de desorganização que vão além de casos isolados. Até o momento a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria de Comunicação Social não se manifestaram sobre o cancelamento das cirurgias eletivas e a falta de insumos nos hospitais do município. O espaço permanecerá aberto para manifestação futura.