A história inventada sobre uma suposta apreensão de R$ 3 milhões dentro de um avião em uma pista clandestina de Marabá virou caso de Polícia Federal. Nesta quinta-feira (1º), a PF desmentiu a informação que circulou pelas redes sociais e informou que a produção da notícia falsa será investigada para descobrir a origem e os interesses por trás da divulgação.
O desmentido confirma o que o Curupira Marabá já havia publicado na noite de quarta-feira (30), quando apontou que a história dos R$ 3 milhões não correspondia a uma operação da Polícia Federal e mostrou como o conteúdo havia se espalhado por páginas e portais do Pará.
A informação falsa ganhou grande repercussão e acabou sendo reproduzida por diversos perfis de notícias, entre eles Fato Regional, Conexão Belém, Marabá Notícias, Notifica Marabá, Marabá Urgente, Portal Memes Pará, InfoPebas, Acontece Pará, Top Five Peba, F5 Notícias e Parauapebas Tudo e um Pouco Mais.
Algumas dessas páginas participaram de publicações colaborativas, ampliando ainda mais o alcance da história antes do desmentido da Polícia Federal.
Segundo o Correio de Carajás, o delegado-chefe da Polícia Federal foi procurado diretamente pelo veículo e negou a existência da ocorrência. Mais do que simplesmente desmentir a história, ele classificou como grave a produção de notícia falsa envolvendo o nome da PF e afirmou que o caso será investigado para identificar de onde partiu a informação e quais interesses estavam por trás dela.

A Polícia Federal também informou, em nota repercutida nesta quinta-feira, que não existe registro de ocorrência, operação ou diligência no Pará com as características apresentadas nas publicações. A corporação alertou ainda para a circulação de notícias falsas no período eleitoral.
Portal de João Vitor aparece na origem da história
Na apuração feita pelo Curupira Marabá, o Portal Amazônia Sul Notícias aparece na origem da cadeia de reprodução do conteúdo. A própria página apresenta João Vitor Cavalcante como editor-chefe.
A partir da publicação, a história foi reproduzida por diferentes páginas nas redes sociais, ganhando repercussão no Pará antes de ser oficialmente desmentida.
Agora, com a declaração do delegado-chefe da PF de que a origem e os interesses por trás da fake news serão investigados, a questão deixa de ser apenas o compartilhamento de uma informação falsa e passa para outra etapa: descobrir quem produziu inicialmente a história, quem colocou o conteúdo em circulação e por quê.
João Vitor já tentou carreira política
João Vitor Cavalcante também já disputou uma eleição em Marabá. Em 2024, foi candidato a vereador pelo PDT, número 12800, e recebeu 21 votos, equivalentes a 0,02% dos votos registrados para o cargo, ficando como suplente segundo os dados eleitorais compilados sobre o pleito municipal.
Essa não é a primeira vez que João Vitor Cavalcante tem o nome envolvido em uma polêmica pública em Marabá. Em outubro de 2025, ele foi afastado da coordenação da 15ª Parada LGBT+ após a repercussão de uma discussão com a promoter Raytha Solaires durante audiência pública na Câmara Municipal. Dias depois, o Portal Debate registrou que o episódio havia levado à exoneração do então coordenador. Agora, João Vitor volta ao centro de uma controvérsia pública, desta vez envolvendo a divulgação da notícia falsa sobre a suposta apreensão de R$ 3 milhões em Marabá.