A população de Marabá enfrenta uma realidade cada vez mais preocupante. Em diversos bairros da cidade, o lixo se acumula nas ruas, calçadas e canteiros, enquanto urubus sobrevoam áreas urbanas e se concentram sobre montes de resíduos espalhados em diferentes pontos do município. O cenário, registrado diariamente por moradores, evidencia uma grave crise na limpeza pública e levanta questionamentos sobre a atuação do Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM), órgão responsável pela coleta de resíduos sólidos.
Nos últimos dias, as redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens foram inundados por vídeos e fotografias mostrando sacos de lixo rasgados, resíduos domésticos espalhados pelas vias e a presença constante de urubus disputando restos de alimentos em plena área urbana. As imagens revelam uma cidade que, para muitos moradores, transmite a sensação de abandono.
A principal reclamação da população é a redução na frequência da coleta de lixo. Em bairros onde o serviço era realizado diariamente, moradores afirmam que o caminhão agora passa apenas esporadicamente. Nas principais avenidas, onde a coleta costuma ocorrer três vezes por semana, o volume de resíduos produzido diariamente faz com que o lixo permaneça acumulado por dias, agravando ainda mais o problema.
Sem uma coleta compatível com a demanda da cidade, os resíduos permanecem expostos ao sol e à chuva, favorecendo o rompimento de sacos por animais, espalhando sujeira pelas ruas e transformando diversos pontos em verdadeiros lixões a céu aberto. Assista ao vídeo abaixo:
Além do impacto visual e do desconforto causado pelo mau cheiro, especialistas em saúde pública alertam que o acúmulo de lixo representa um risco concreto à população. O descarte inadequado favorece a proliferação de ratos, baratas, moscas e mosquitos, aumentando o risco de doenças como leptospirose, diarreias, gastroenterites, dengue, chikungunya e outras enfermidades relacionadas às condições precárias de saneamento.
A grande quantidade de urubus também preocupa. Embora essas aves desempenhem um papel ecológico importante ao consumir matéria orgânica em decomposição, sua concentração em áreas urbanas é um indicativo da existência de grandes volumes de resíduos expostos. Além disso, a presença constante desses animais pode contribuir para a disseminação mecânica de microrganismos e representa riscos à saúde pública e à segurança, especialmente em áreas próximas ao aeroporto e em locais com intensa circulação de pessoas.
Moradores relatam indignação com a situação e afirmam que o problema deixou de ser pontual para se tornar rotina. As reclamações se repetem em diferentes regiões da cidade, indicando que a deficiência na coleta de lixo atinge bairros distintos e compromete a qualidade de vida da população.
A crise da limpeza urbana também expõe questionamentos sobre a gestão do serviço. Em uma cidade do porte de Marabá, a coleta regular de resíduos é considerada um serviço essencial e sua descontinuidade afeta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a imagem do município.
A reportagem procurou o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) para solicitar esclarecimentos sobre a redução da frequência da coleta, as reclamações dos moradores e as medidas previstas para normalizar o serviço. Até a publicação desta matéria, o órgão não havia se manifestado.
Enquanto uma solução definitiva não é apresentada, o lixo continua se acumulando, os urubus seguem sobrevoando a cidade e cresce a insatisfação de moradores que cobram uma resposta efetiva do poder público para um problema que, a cada dia, torna-se mais visível e preocupante.