Um vídeo publicado por um empresário de Marabá nas redes sociais provocou repercussão nesta quinta-feira (25) ao mostrar trabalhadores da coleta de lixo durante o expediente após um desentendimento envolvendo um pedido de refrigerante e comida. As imagens foram gravadas em frente ao estabelecimento comercial e mostram o empresário abordando a equipe de limpeza urbana, enquanto registra a situação em vídeo.
Segundo o próprio comerciante, a equipe responsável pela coleta de resíduos passou pelo local na noite de quarta-feira (24) e solicitou refrigerante. Ele afirmou que costumava fornecer refrigerantes e até refeições aos trabalhadores com frequência, mas que, naquela ocasião, um funcionário informou que não seria possível atender ao pedido porque o estabelecimento acompanhava a partida da Seleção Brasileira.
Ainda de acordo com o relato divulgado pelo empresário, o responsável pela equipe de coleta teria reagido afirmando: “Não vou catar o lixo aqui, agora só sexta-feira porque não querem me dar refrigerante”. A alegação de que o lixo deixaria de ser recolhido em razão da negativa ainda não foi confirmada oficialmente pelo município.
Após o desentendimento, o empresário decidiu gravar a equipe durante o serviço e publicou os vídeos em suas redes sociais. Embora os rostos dos trabalhadores tenham sido parcialmente desfocados, as imagens rapidamente passaram a circular e deram ampla visibilidade ao episódio.
O caso também trouxe novamente à tona a situação enfrentada pelos servidores da limpeza urbana de Marabá. Nos últimos meses, trabalhadores da categoria têm relatado falta de valorização profissional, remuneração considerada defasada e a retirada das marmitas fornecidas durante a jornada de trabalho. A medida foi adotada pela atual gestão municipal sob a justificativa de redução de despesas.
O cenário contrasta com os elevados gastos públicos realizados pela Prefeitura de Marabá em outras áreas da administração. Somente por meio de adesões a atas de registro de preços, as contratações já ultrapassam R$ 400 milhões, além das despesas destinadas à contratação de artistas nacionais para eventos promovidos pelo município.
Independentemente da apuração sobre a suposta recusa na coleta do lixo, o episódio gerou debate sobre a forma como trabalhadores que exercem um serviço essencial foram expostos nas redes sociais. Para especialistas em administração pública e relações de trabalho, eventuais irregularidades na prestação do serviço devem ser comunicadas aos órgãos competentes, permitindo a apuração dos fatos e o exercício do contraditório.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Comunicação e o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) para solicitar esclarecimentos sobre a suposta recusa da equipe em recolher os resíduos do estabelecimento e para saber se o caso será apurado administrativamente. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos municipais e dos trabalhadores envolvidos.