A Polícia Civil do Pará deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), a operação “Child Protection”, que resultou na prisão de oito pessoas investigadas por suposto envolvimento em crimes sexuais contra crianças e adolescentes nos municípios de Bom Jesus do Tocantins e Marabá, no sudeste do estado. A ação teve como foco o cumprimento de mandados judiciais relacionados a uma investigação sobre exploração sexual de menores.
Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão domiciliar. Durante as diligências, outras quatro pessoas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo, totalizando oito prisões.
Entre os investigados presos temporariamente estão Edinaldo Lima Cerqueira, conhecido como “Doutor”, apontado como advogado; Jonas Pinheiro Barbosa, identificado como pecuarista; além dos empresários Osvaldo Silva Baião e Saulo de Tárcio Kretli Ferraz, conhecido como “Saulo da Farmácia”. Conforme a polícia, eles são investigados por suposta participação em um grupo suspeito de envolvimento em crimes como estupro de vulnerável e favorecimento à exploração sexual de crianças e adolescentes.
De acordo com o superintendente regional da Polícia Civil no Sudeste do Pará, delegado Antônio Mororó, a investigação aponta que vítimas, com idades entre 11 e 13 anos, teriam sido aliciadas mediante promessas de bens materiais e pagamentos em dinheiro. Segundo ele, os suspeitos se aproveitariam de situações de vulnerabilidade social para se aproximar das adolescentes.
As investigações são conduzidas pela Delegacia de Polícia Civil de Bom Jesus do Tocantins, sob presidência do delegado Lucas Luz, e tiveram início ainda no ano passado após denúncias encaminhadas ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público e à própria Polícia Civil. Inicialmente, quatro possíveis vítimas foram identificadas, mas a corporação informou que o número pode ser maior.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam ao menos 16 armas de fogo e mais de 500 munições em endereços ligados aos investigados, tanto em Bom Jesus do Tocantins quanto em Marabá. Entre os armamentos recolhidos estão espingardas, carabinas, revólveres e pistolas de diferentes calibres.
Do total de prisões, sete ocorreram em Bom Jesus do Tocantins — sendo três temporárias e quatro em flagrante — enquanto uma prisão temporária, apontada pela Polícia Civil como de um dos principais investigados, foi realizada em Marabá.
O delegado Lucas Luz informou que o inquérito tramita sob sigilo e reforçou que possíveis vítimas ou testemunhas podem procurar a Delegacia de Bom Jesus do Tocantins ou a Seccional Urbana de Marabá, com garantia de confidencialidade.
A Polícia Civil informou que os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes de associação criminosa, favorecimento à prostituição de menores e estupro de vulnerável. A defesa dos citados não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamentos.