Associação do Bairro Liberdade vira alvo de denúncia por operar como bar e servir álcool a idosos

25 mar

O Centro de Integração Social dos Moradores do Bairro Liberdade está no centro de uma série de denúncias que levantam suspeitas sobre a condução da entidade e o uso de seu patrimônio. As acusações recaem sobre a atual presidente, Claudia Cilene, e envolvem desde possível desvio de finalidade do espaço até indícios de irregularidades administrativas.

Segundo relatos encaminhados à reportagem, parte do terreno da associação teria sido utilizada para a construção de um prédio que hoje está vinculado ao marido da dirigente. No local, funcionaria um bar com atendimento tanto ao público externo quanto aos próprios associados — estes, em sua maioria, idosos que frequentam o espaço comunitário.

As denúncias indicam que o estabelecimento opera com duas entradas: uma voltada para a rua e outra com acesso direto ao interior da associação. A prática levanta questionamentos, especialmente pelo fato de haver venda de bebidas alcoólicas dentro de um ambiente que, em tese, deveria ser destinado à convivência social e ao bem-estar dos moradores.

Frequentadores antigos relatam que o consumo de álcool no local não é recente e que há episódios envolvendo idosos em situação de embriaguez, inclusive com registros de quedas e acidentes. A situação, segundo os denunciantes, expõe um cenário de vulnerabilidade e contraria a finalidade social da entidade.

Outro ponto crítico envolve a destinação dos recursos arrecadados com a comercialização de bebidas. De acordo com as denúncias, os valores não seriam revertidos em melhorias para o espaço, que, apesar de contar com contribuições mensais dos associados, não apresenta avanços estruturais significativos ao longo dos anos.

Há ainda questionamentos sobre a ausência de processos eleitorais para renovação da diretoria. Segundo os relatos, a entidade estaria há quase duas décadas sem eleições internas, permanecendo sob a mesma gestão, o que levanta dúvidas quanto à transparência e à legalidade da administração.

Também são apontadas possíveis irregularidades na construção do prédio onde funciona o bar. As denúncias sugerem que o imóvel pode ter sido erguido sem alvará ou licenciamento dos órgãos competentes, além de haver preocupações quanto à segurança da estrutura, com relatos de risco de desabamento.

Eventos promovidos no local, como encontros festivos e “forrós”, também são mencionados. Segundo os denunciantes, as atividades são divulgadas nas redes sociais pessoais de Claudinha e incentivam a presença e o consumo dentro do espaço da associação.

Diante da gravidade das acusações, especialistas apontam que, se confirmadas, as práticas podem configurar desvio de finalidade de entidade associativa, além de possíveis infrações administrativas e civis.

A reportagem tentou contato com Claudia Cilene, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

As denúncias devem ser encaminhadas aos órgãos competentes para apuração formal dos fatos.