A Polícia Federal apreendeu R$ 500 mil em dinheiro vivo após monitorar a movimentação suspeita de um empresário ligado à empresa Solucione Comércio e Livros Ltda, que mantém contratos com a Fundação Cultural do Pará. O caso aconteceu no centro de Belém e acendeu o alerta para um possível esquema de desvio de recursos públicos. As informações são do Blog Marabá & Fatos.

A investigação começou após o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), identificar um saque considerado atípico: meio milhão retirado “na boca do caixa” por um empresário com renda declarada de pouco mais de R$ 1 mil. Ao aprofundar a apuração, a PF encontrou uma série de depósitos recentes feitos diretamente pela fundação na conta da empresa.
Ao todo, a Solucione firmou sete contratos sem licitação, somando R$ 3,8 milhões, todos relacionados ao evento “Harmonia Sonora”.
Shows “duplicados” levantam suspeita
Mas o ponto mais estranho — e que reforça a suspeita de irregularidades — está na execução dos eventos.
A empresa, que oficialmente atua no comércio de livros, foi contratada para realizar dois shows musicais de R$ 300 mil cada, com as mesmas atrações, nos mesmos dias e horários, porém em locais diferentes da cidade.

Segundo os registros no Diário Oficial, os eventos aconteceriam nos dias 07, 08 e 09 de março, das 17h à meia-noite, simultaneamente:
• na Praça Jaú, no bairro da Sacramenta
• e nas praças Waldemar Henrique e do Carmo
As atrações listadas incluem Banda de La Paz, Allan Flecha, Aline Araújo, Juliano Goiano, Banda Rock On, Swing do Panda, Lohanzinho e Juninho Farra.
O detalhe que mais chama atenção: os contratos foram assinados no dia 06 de março, apenas um dia antes dos eventos.
Na prática, isso levanta uma pergunta básica: como os mesmos artistas se apresentariam ao mesmo tempo em locais diferentes?
Empresa sem ligação com música
Outro ponto que pesa na investigação é o perfil da empresa contratada. A Solucione não tem histórico conhecido na produção de eventos musicais. Sua atividade principal é o comércio de livros, o que reforça a suspeita de uso como possível “empresa de fachada”.
Dinheiro vivo, prisão e suspeita de “laranja”
A PF chegou até o caso após monitoramento e flagrou o momento em que o dinheiro era retirado. Houve confusão, tentativa de fuga e prisões em flagrante.
Um dos envolvidos teria admitido atuar como “laranja”, enquanto outro preferiu permanecer em silêncio durante o depoimento.
Pressão sobre a gestão
No centro da crise está o presidente da fundação, Thiago Miranda, responsável por autorizar os contratos. A própria Polícia Federal já indicou que a participação dele precisa ser investigada.

Candidato a deputado estadual derrotado em 2022, Thiago viu seu capital político encolher bastante na sua terra natal, principalmente após a saída do pai da prefeitura e pela imagem de alguém elitista e distante da realidade do povo.
Pergunta que fica
Com milhões liberados sem licitação, contratos assinados às pressas e eventos que desafiam até a lógica mais básica, a dúvida que fica é direta:
👉 o dinheiro da cultura estava sendo usado para promover eventos ou para alimentar um esquema?
O Portal Curupira Marabá tenta contato com Thiago Miranda nesta quinta-feira, mas até a publicação desta matéria ainda não havia conseguido falar com o presidente da FCP. O espaço seguirá aberto para manifestação do citado.