Tragédia: Mãe de recém-nascida morre após receber apenas remédio para dor em atendimentos no HMI

10 mar

A morte da puérpera Nilciane Alves da Silva, de 33 anos, registrada na noite de segunda-feira (9) no Hospital Municipal de Marabá (HMM), levanta questionamentos sobre o atendimento prestado pelo Hospital Materno Infantil de Marabá (HMI), onde ela havia dado à luz poucos dias antes e para onde retornou diversas vezes em busca de ajuda médica.

Nilciane deixa uma bebê de apenas 18 dias de vida, que agora deverá ser criada por familiares após perder a mãe poucos dias depois do nascimento.

De acordo com relato da irmã da vítima, Nilcejanes de Paula, em entrevista à TV Correio SBT, Nilciane começou a se sentir mal pouco tempo após receber alta do hospital onde havia realizado o parto. Diante do agravamento dos sintomas, ela procurou atendimento quatro vezes no Hospital Materno Infantil de Marabá.

Segundo a família, apesar das queixas e da insistência em buscar ajuda médica, a paciente teria recebido apenas medicação para dor, principalmente Ibuprofeno, sem que exames fossem solicitados para investigar a origem do problema.

Nilcejanes relatou que, nos atendimentos realizados no HMI, o quadro de saúde da irmã teria sido atribuído a questões simples, como má postura ou forma de dormir. Enquanto isso, os sintomas se agravavam.

Com o passar dos dias, Nilciane passou a sentir fortes dores nas costas, além de apresentar episódios de vômitos e expectoração com sangue, sinais que alarmaram ainda mais a família.

Na noite de segunda-feira, diante da piora do estado de saúde e sem respostas no Materno Infantil, os familiares decidiram levá-la ao Hospital Municipal de Marabá. No entanto, quando deu entrada na unidade, o quadro clínico já era considerado extremamente grave.

A equipe médica ainda tentou realizar procedimentos de emergência, incluindo tentativa de entubação, mas Nilciane sofreu parada cardíaca e acabou não resistindo.

Somente após a morte, segundo a família, eles foram informados de que a paciente estava com pneumonia — diagnóstico que, de acordo com os parentes, nunca havia sido apontado durante os atendimentos realizados no Hospital Materno Infantil.

Abalada, a irmã da vítima questiona a condução do caso e acredita que, se exames tivessem sido realizados anteriormente, a doença poderia ter sido identificada e tratada a tempo.

“Se tivessem investigado, se tivessem feito pelo menos um exame, a gente teria descoberto o que ela tinha e poderia ter iniciado o tratamento. Não precisava ter chegado a esse ponto”, desabafou.

Diante da tragédia, a família cobra que o caso seja rigorosamente investigado pelas autoridades competentes para apurar se houve falhas no atendimento e se alguma negligência contribuiu para a morte da jovem mãe.

O episódio reacende preocupações sobre o atendimento prestado na rede pública de saúde materna do município e reforça o apelo de familiares por esclarecimentos e responsabilização caso irregularidades sejam comprovadas.