Preso pela PF, ex-prefeito João Salame vira braço direito de Dr. Daniel no Pará

24 set

A movimentação política no sudeste do Pará tem chamado atenção para a crescente aproximação entre o ex-prefeito de Marabá, João Salame, e o pré-candidato ao governo do Estado, Dr. Daniel Santos (PSB). Salame, que deixou a Prefeitura de Marabá sob forte rejeição popular e críticas à sua gestão, vem sendo apontado como articulador político da campanha de Daniel Santos na região de Carajás.

O histórico de João Salame levanta dúvidas entre lideranças locais. Durante seu mandato como prefeito, foi amplamente criticado por sua condução administrativa e encerrou o período no cargo com baixa avaliação pública. Em 2018, chegou a ser preso no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investigava o desvio de recursos públicos federais destinados à aquisição de gases medicinais para o Pará.

À época, segundo matéria publicada pelo portal G1, o político “foi preso por ser suspeito de envolvimento no esquema que desviou mais de R$ 2 milhões em recursos públicos federais destinados à aquisição de gases medicinais para o Pará. De acordo com a PF, todos os nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos, além de sete mandados de prisão. O presidente do PROS, Euripedes Júnior, que também tem mandado de prisão decretado, está foragido. A ação ocorreu em Marabá, Altamira e Brasília”.

Apesar do discurso anticorrupção e moralizador adotado publicamente, Daniel Santos tem sido visto lado a lado de um aliado com histórico de problemas judiciais e alta rejeição no maior município do sudeste paraense. A escolha estratégica de João Salame como articulador na região de Carajás levanta questionamentos sobre coerência e impacto eleitoral para a pré-candidatura. Nos bastidores, comenta-se que, caso eleito, Daniel Santos poderá nomear João Salame para a chefia da Casa Civil, posição estratégica para conduzir articulações políticas e administrativas do governo estadual.

A hipótese de um ex-prefeito mal avaliado e com antecedentes judiciais ocupar um dos cargos mais influentes da gestão estadual provoca reações negativas e amplia o debate sobre credibilidade e capacidade administrativa. Pergunta-se: um gestor que deixou a quarta maior cidade do Estado sob críticas teria condições de conduzir articulações de governo em nível estadual?

A frase popular “Diga-me com quem andas e te direi quem és” passou a circular entre lideranças políticas como síntese dessa aliança. O cenário eleitoral também se complica para Daniel Santos, que enfrenta investigações do Ministério Público e do Gaeco sobre irregularidades na administração de Ananindeua, município que governa atualmente.

Diante das circunstâncias, cresce o alerta para os eleitores sobre os rumos que alianças e cargos estratégicos podem tomar no eventual governo de Daniel Santos. A relação com João Salame, em vez de fortalecer a pré-candidatura, pode se tornar um ponto de desgaste e questionamento público durante a corrida eleitoral de 2026. Reportagem Curupira Marabá