A postura do prefeito de Marabá, Antônio Carlos Cunha Sá (PL), conhecido como Toni Cunha, gerou forte repercussão nesta segunda-feira (15) após um comentário feito nas redes sociais sobre o caso de um recém-nascido em estado grave no Hospital Materno Infantil (HMI). Em resposta a uma internauta que pediu atenção do gestor para a situação do neto internado na unidade, o prefeito limitou-se a escrever: “Desejo boa sorte, há de dar tudo certo. Há médicos para essa análise. Não tenho como opinar sobre isso”.

A reação foi interpretada por usuários das redes sociais como ironia diante da gravidade do caso, que envolve denúncias de falhas no atendimento e falta de estrutura no hospital. A criança permanece entubada na UTI Neonatal.
O episódio citado na postagem é o mesmo denunciado por Joseane da Silva do Espírito Santo, mãe da gestante Yasmin da Silva do Espírito Santo, que acusa o HMI de negligência no parto de sua filha. Segundo Joseane, Yasmin deu entrada no hospital no sábado (13) com dois centímetros de dilatação e permaneceu internada aguardando evolução do trabalho de parto.
No domingo (14), mesmo com pressão alta e sem melhora significativa, a gestante continuava apenas medicada. Por volta das 13h, debilitada e sem alimentação desde a internação, pediu que a mãe chamasse o médico. Joseane relata que, ao procurar o profissional, foi chamada de “burra” e ouviu que, se quisesse ajuda, deveria “procurar no inferno”. A discussão terminou com sua condução à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), sendo depois autorizada a permanecer com a filha no hospital, desde que sem novos atritos, podendo solicitar outro médico para o atendimento.
O parto ocorreu por volta das 20h, quando Yasmin apresentava apenas sete centímetros de dilatação. Foram aplicados medicamentos para intensificar as contrações, e, segundo Joseane, o bebê ficou retido no canal vaginal, sendo necessária episiotomia e manobras, inclusive pressão abdominal realizada por um dos profissionais. A criança nasceu sem respirar, sem chorar e sem reagir.
Joseane afirma que a reanimação foi prejudicada por falhas de equipamentos: cinco dispositivos de ventilação (ambus) testados estariam defeituosos. Após cerca de 20 minutos de tentativas, o recém-nascido foi transferido para a UTI Neonatal, onde permanece em coma induzido.
A mãe denuncia ainda que precisou comprar medicamentos para a filha porque não estavam disponíveis na farmácia do hospital. “Eles acabaram com uma criança que era saudável. A minha filha não levanta, não fala, não tem reação nenhuma; eu tive que comprar um remédio pra colocar no soro dela porque aqui não tem”, disse.
Joseane responsabiliza o hospital pelo quadro da filha e do neto e afirma que tomará medidas cabíveis. “Eu culpo eles pelo que vai acontecer com meu neto. Eu culpo e vou procurar todos os meios possíveis pelo que fizeram com minha filha. Eu sofri demais e não desejo pra ninguém o que passei aqui.”
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), não havia se manifestado sobre o caso.